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Por uma vida mais simples

  • andredangelodomini
  • 1 de ago. de 2015
  • 4 min de leitura

Professor André Cauduro D’Angelo lançou obra inspirada na Simplicidade Voluntária.

O professor da Faculdade de Comunicação Social da PUCRS (Famecos) André Cauduro D’Angelo lançou recentemente, pela editora Cultrix, uma obra inspiradora, intitulada Por uma Vida Mais Simples. No livro ele conta histórias de pessoas que adotaram a Simplicidade Voluntária com forma de vida e de comportamento. O estilo consiste em uma mudança na rotina, na inversão de prioridades, na redução do consumo ao mínimo possível, optando pela simplicidade e por experiências mais gratificantes.

Segundo D’Angelo, longe de ser um movimento organizado, a Simplicidade Voluntária é um fenômeno social contemporâneo sem causa única e nenhuma regra. “O que move homens e mulheres é a perda do sentido de ‘ser’, um cansaço profundo do ‘quantitativo’ (dinheiro, bens, seguidores em redes sociais). Na prática, significa ter mais tempo para si mesmo e para aquilo que realmente importa na vida. Não é uma fórmula para a felicidade, mas um caminho”.

Atualmente, o professor ministra as disciplinas de Mercadologia 2, Pesquisa de Mercado 2 e Tendências de Mercado no curso de Publicidade e Propaganda, além de Comunicação, no curso de especialização em Marketing Estratégico da Faculdade de Administração, Contabilidade e Economia e Pesquisa de Tendências e Métricas, em duas especializações da Famecos. Ele diz levar uma vida simples, morando perto do trabalho e se dedicando a interesses que vão além da atividade docente, como pesquisa e leitura. “Já tive oportunidades de trabalho que possivelmente me trariam mais retorno financeiro, mas declinei em prol do atendimento de outras prioridades, como o tempo livre e a possibilidade de me dedicar a atividades das quais gosto mais”, destaca o professor. Ele conversou com a Assessoria de Comunicação e Marketing.

ASCOM - Qual a sua inspiração para escrever a obra?

D'Angelo - A descoberta da existência, nos Estados Unidos, de um movimento chamado "simplicidade voluntária", que pregava reduzir padrões de consumo para, em troca, poder reduzir o volume de trabalho e aumentar a disponibilidade de tempo livre. Percebi que, ao contrário do que se imagina na área da qual eu vim, o marketing, não são todas as pessoas que necessariamente almejam sempre mais - há quem opte por impor espontaneamente um freio aos seus desejos materiais para, em troca, obter satisfação em outras áreas da vida.

ASCOM - Por quanto tempo você colheu depoimentos de pessoas?

D'Angelo - De janeiro de 2010 a abril de 2013, majoritariamente durante as férias da Universidade. Foram, ao todo, quase 30 entrevistados, no RS, SP, Rio, MG e Piauí. E cerca de 8 meses escrevendo.

ASCOM -Qual a mudança mais brusca que encontrou na vida dessas pessoas após elas optarem por uma vida mais simples?

D'Angelo - Um grupo de paulistanos que se mudou para o litoral do Nordeste para montar pequenos estabelecimentos - pousadas, bares, restaurantes. Primeiro, foram para Jericoacoara, no Ceará. Depois, quando esta praia ficou muito movimentada, se mudaram para Barra Grande, no Piauí, onde eu estive para entrevistá-los (a cinco horas de carro de Teresina, a capital). Agora, fiquei sabendo que um dos casais já se mudou novamente (para o Maranhão, parece).

ASCOM - Como está a vida dessas pessoas hoje?

D'Angelo - Segundo todos os relatos, inclusive aquele oriundo das pessoas que fizeram as mudanças mais “bruscas”, a vida está melhor. Todos se mostraram satisfeitos com as escolhas que fizeram, embora nenhum tenha se mostrado "cego" quanto à ideia de simplificação, salientando sempre que cada pessoa sabe de si. Ou seja, o modelo que garantiu satisfação a um pode não se aplicar a outro.

ASCOM - Qual a sua dica para quem está cansado da rotina das cidades?

D'Angelo - Minha intenção, com o livro, foi conhecer o fenômeno da simplicidade voluntária, e não necessariamente professá-la - ainda que eu nutra alguma simpatia por essa, digamos, "filosofia de vida". Em todo caso, acho que o melhor conselho que o livro passa, através de toda a pesquisa histórica e presencial que fiz, é de que é possível fazer diferente, questionar nossos próprios valores e os daqueles que nos circundam. Costumamos tomar as coisas comonaturais, como se só pudessem ser de uma forma, e evidentemente não é assim.

ASCOM - Qual a primeira importante atitude a ser tomada?

D'Angelo -Ponderação e planejamento; quase nenhum dos meus entrevistados tomou a decisão num repente, de afogadilho. Todos a amadureceram bastante. Ela foi o resultado de um processo, o ápice de uma reflexão ou de uma trajetória que já se desenhava.

ASCOM - Como é a vida que você leva? É uma vida simples?

D'Angelo - Diria que, sob certos aspectos, sim. Moro perto do trabalho, o que me permite um tempo de deslocamento pequeno, o que traz bastante comodidade à rotina. Tenho tempo para me dedicar a interesses que vão além da atividade docente, como pesquisa e leitura. Já tive oportunidades de trabalho que possivelmente me trariam mais retorno financeiro, mas declinei em prol do atendimento de outras prioridades, como o tempo livre e a possibilidade de me dedicar a atividades das quais gosto mais.

ASCOM - A que você atribui a busca por uma mudança radical na vida?

D'Angelo - Há casos de "epifanias espirituais"; há quem tenha visto na morte do pai o sinal para a mudança de vida; há quem tenha mudado aos poucos. Mas há casos de quem sempre foi assim, e isso é interessante também. Há pessoas que, desde cedo, perceberam que o caminho do "sempre mais" não lhes satisfazia e adotou a simplicidade.

Entrevista concedida ao site da PUCRS, 5 de agosto/2015.

© 2017 André D'Angelo - Criado pela Balz Comunicação.

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